São Paulo capital inaugurou, nesse final de março de 2026, a Linha 17-ouro do monotrilho, trecho do Metrô da capital paulista que liga a região do estádio do Morumbi ao aeroporto de Congonhas. A notícia não mereceria maiores destaques não fosse uma particularidade: a obra deveria ter sido entregue antes do início da Copa do Mundo de Futebol realizada no Brasil em junho de 2014. O atraso na entrega chegou a quase 12 anos.
A relação da linha com o torneio esportivo fica claro até mesmo pelo seu trajeto, que liga a região do estádio do Morumbi (na zona oeste) ao aeroporto de Congonhas (na zona sul). Isso porque o estádio do São Paulo Futebol Clube ia sediar jogos daquele campeonato, o que acabou não acontecendo. Os jogos em São Paulo foram realizados na então recém-construída Arena do Corinthians, na zona Leste da capital.
As composições da Linha 17 são bem menores que o padrão dos trens em São Paulo, e isso talvez se explique pela previsão de demanda para a linha. Enquanto algumas linhas têm trens com quase 130 metros e demanda diária de até 800 mil usuários, os trens da nova linha 17 têm 60 metros para comportar uma previsão de demanda de cerca de 100 mil usuários por dia útil.
Uma coisa legal de destacar: o trem da linha 17-ouro tem baterias recarregáveis com autonomia para até 8 km. Ou seja, em caso de necessidade, como em um apagão, o trem tem carga suficiente para percorrer todo o trecho.
Atraso também em Brasília
Mas o destaque da notícia, o atraso de mais de uma década para conclusão do projeto, não é privilégio dos paulistanos. O mesmo aconteceu em muitas das cidades sede dos jogos daquele torneio.
Foi o caso de Brasília, em que muitas promessas de obras para a Copa do Mundo de 2014 nunca forem entregues – algumas sequer começaram a ser tocadas e outras que nunca foram concluídas, ou foram concluídas muitos anos depois do evento.
Uma das ações mais propaladas da época que foram previstas para Brasília, ao menos na área da mobilidade urbana, foi o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), que seria construído ao longo da avenida W3 e chegaria até o aeroporto. Na época, chegaram a um expor um trem modelo no final da W3 Sul, para dar o gostinho do que viria pela frente. Mas o projeto nunca deslanchou. O que se sabe é que ainda está em estudos.
Ao menos o viaduto no final da W3 Sul, que fazia parte do projeto do VLT em direção ao aeroporto, foi concluído e ajudou a melhorar o trânsito de veículos na área entre o Setor Hospitalar Sul e o Setor Policial.
Mas, de novo e coincidentemente, acabaram concluindo apenas a parte do projeto que atende ao mercado automobilístico. Afinal, essa é a verdade força motriz do país, responsável por uma fatia muito importante da arrecadação tributária do governo.
Outra obra importantíssima ligada à mobilidade prometida no DF, o projeto de revitalização do sistema metroviário, incluindo a compra de novos trens e a expansão das linhas em Samambaia e Ceilândia, só começaram a ser tocadas anos depois do torneio futebolístico e, até onde sei, ainda não foram concluídas. É o caso das estações da 104 sul e Onoyama (em Taguatinga), e também a tão falada expansão para a Asa Norte. Essa expansão, aliás, já se tornou uma espécie de lenda na cidade, com diversas teorias (algumas até bem assustadoras) explicando por que o metrô não pode ir para o lado norte. Mas isso é tema para um outro post.
Esperança
O fato de algumas dessas promessas ainda estarem, de alguma forma, tramitando – em estudos, em análise – permite que se tenha esperança de que venham, um dia, a ser finalmente executadas e entregues à população.
É importante termos consciência do estado em que se encontram esses projetos e, de alguma forma, pressionarmos nossos políticos – seja na Câmara Distrital, no Parlamento Federal e no Executivo local – a se comprometerem com essas pautas.
A expansão do Metrô-DF e a implantação do VLT são dois projetos que trariam muitos benefícios aos cidadãos. Não vão mudar o mundo, mas são projetos necessários para continuarmos sonhando com uma capital federal com um sistema de mobilidade minimamente amigável.