É hoje. Para mim, é uma data importante. Como sempre digo, me defino basicamente como um ser de duas rodas. O ciclismo está na minha formação como pessoa. Pedalo desde os 6 anos de idade, mais ou menos. Foram poucos os períodos que fiquei sem bicicleta, sem pedalar, durante todos esses anos. E, no maior tempo que fiquei sem uma magrela, arranjei logo uma moto, que ficou comigo por uns dez anos. Então, sim, é uma data que me toca.
Mas, até para manter a coerência, como faço quando chega o Dia Internacional da Mulher, Dia do Indígena ou o Dia da Consciência Negra - para lembrar apenas algumas das principais efemérides do nosso calendário -, entendo que não se trate de data para “dar parabéns”, lembrancinhas ou abracinhos com tapinhas nas costas.
Essas datas não são comemorativas, não são festivas. Não pra mim.
O Dia Internacional do Ciclista foi instituída em 2018 pela União Ciclística Internacional (UCI) para marcar a importância do ciclista no contexto da sociedade. E acho que é exatamente esse o papel desse dia: reforçar essa importância, concentrar ações para lembrar da necessidade de respeito, de valorização e de reconhecimento, por parte das pessoas, e de apoio e investimentos em infraestrutura, por parte do Estado. Mais uma data de luta por direitos, assim como as datas que citei acima.
É um momento de conscientizar motoristas e motociclistas para os cuidados que devem ter no trânsito, para a necessidade de saber compartilhar as nossas vias em paz com todos. E dia para conscientizar as autoridades sobre a importância de se investir em infraestrutura cicloviária, em campanhas de educação e em fiscalização.
Mas também é um momento para se trabalhar a conscientização dos próprios ciclistas, sejam eles pedalantes infantis e recreativos até esportistas de ponta. Todos que se movimentam sobre duas rodas, sobre uma bicicleta, precisam entender que ser ciclista é um estilo de vida, é um comportamento, é uma forma diferente de ver e compreender o mundo. E precisam entender que cada ciclista é o principal responsável por sua própria segurança no trânsito.
Como tudo nesse mundo, o ciclismo mudou muito nos últimos anos, principalmente aqui no Brasil. O uso da bicicleta como meio de transporte saiu das pequenas cidades e do interior para se espalhar pelas grandes cidades. Pelo que leio e pelo pouco que pude testemunhar, nas principais capitais europeias essa, inclusive, já é uma tendência irreversível. O uso diário da bicicleta, que veio de uma necessidade por condições financeiras pessoais ou mesmo falta de estrutura viária em muitos rincões do país, passou a ser vista como meio de transporte nas grandes cidades, por pessoas que têm carro, mas optam por se locomover sobre duas rodas e a força das próprias pernas.
Mas assim como a inserção da bicicleta no sistema viário das cidades cresceu, o número de carros e motos também aumentou e vem aumentando, nesse caso exponencialmente, nos últimos anos. E, como sempre friso, o sistema viário todo é focado nos automóveis.
Que a data, então, seja esse momento das pessoas que vivem e se locomovem diariamente pelas cidades prestem mais atenção nos ciclistas, respeitem os ciclistas e exijam respeito dos ciclistas. Que os recebam no trânsito com responsabilidade, com respeito, com atenção e cuidado.
Que afinal, possamos um dia comemorar o dia do trânsito leve, do trânsito pacífico, da mobilidade urbana inclusiva e de qualidade. O dia da cidade feliz. Hastearmos uma bandeira branca no trânsito, para não precisarmos mais ter tantas bicicletas brancas plantadas em canteiros às margens das pistas da cidade.
Na imagem ao lado, o pedal que fiz pra marcar a data. Passando por ciclovias, por ruas, por atalhos de terra
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