domingo, 19 de abril de 2026

Um trem de metrô com soluço!

Costumo falar que uma política de mobilidade urbana tem como objetivo oferecer às pessoas a possibilidade de escolherem o meio de transporte que vão usar para se locomover pela cidade, e que essa forma escolhida possa ser praticada com qualidade. Ou, se só existe uma ou outra opção para alguém, que essas opções ofereçam, da mesma forma, uma mobilidade de qualidade. 

Assim, se a pessoa escolhe andar de ônibus, que ela tenha à disposição uma quantidade de veículos que atendam bem à demanda, que existam opções de destinos variados – sejam linhas diretas ou por meio de integração – e que existam horários definidos e que haja respeito a esses horários. 

Da mesma forma, se a opção for a bicicleta, que o ciclista possa pedalar por ciclovias, ciclofaixas ou ciclorrotas seguras, bem sinalizadas e com piso de qualidade, e que as ciclovias sejam conectadas formando um sistema integrado que permita ao ciclista se movimentar entre as diversas regiões administrativas, ou bairros ou setores da cidade. 

Quem escolher andar de carro, que tenha um trânsito de melhor qualidade, sem tanto stress, tanta violência, sem tantos engarrafamentos, em pistas com qualidade, boa sinalização e com respeito às leis de trânsito.

Andar a pé também é uma opção. Nesse caso, que o pedestre tenha calçadas íntegras, espalhadas ao lado das ruas e avenidas, que não tenha que disputar espaço com ciclistas e motociclistas e patineters (não sei como nominar quem anda de patinete!), que existam faixas de pedestre e sinais de trânsito na travessia das vias mais movimentadas. 

E, pra quem escolher andar de metrô – o que em Brasília é uma opção para poucos, já que o sistema atende poucas áreas do DF – a ideia é a mesma. Que o usuário possa encontrar composições em número suficiente para atender à demanda de passageiros, que existam horários programados e que esses horários sejam respeitados pela Cia do Metropolitano, e que os trens estejam com sua manutenção em dia, para que o usuário não corra o risco de perder tempo com trens que são obrigados a parar durante o trajeto por problemas elétricos, riscos de incêndios, apagões ou outros problemas solucionáveis com uma boa manutenção.

Soluço

Já vinha pensando em escrever sobre isso quando entrei no metrô na última sexta-feira, a caminho de um café no centro da cidade pra encontrar minha filha. Ao sair da estação em que embarquei, o trem deu três trancos consecutivos, com segundos de intervalo, bem fortes mesmo. Daqueles que fazem quem está em pé perder o equilíbrio. Assustei. Mas, como já vi muita coisa andando de ônibus e metrô por aí, já estou acostumado com esses percalços. 

Mas, na estação seguinte, ao partir, os mesmos três trancos consecutivos. E na outra estação, o mesmo. 

Eu estava gravando um vídeo no celular sobre a questão da mobilidade urbana, e os trancos aparecem bem no vídeo.

Aí ficou claro que aquela composição está com algum problema. Provavelmente já passou do prazo de manutenção e, com os trancos, já está passando do prazo de parar para conserto. O que significa que, muito provavelmente, se mantido em circulação, esse trem logo para parar no meio do trajeto. E aí o prejuízo aumenta. 

A depender do local, todo o sistema acaba parando ou sofrendo atrasos. Quem estiver dentro do trem, a depender de onde ocorrer a parada, vai ter muita dificuldade de sair e buscar outro meio de transporte. E, com isso, chegar atrasado no trabalho, na consulta médica, no encontro, enfim. O planejado, qualquer que seja, foi pro espaço. Além da dor de cabeça, do stress, do susto, do medo, da angústia. E os outros em cadeia vão ampliar esse prejuízo inclusive para quem não estava dentro desse trem com problema. Digamos que é o metrô sendo democrático, causando prejuízos a todos, igualmente, sem distinção.

Lembro que várias vezes, nos últimos tempos, estava em ônibus que tiveram que parar no meio do trajeto. Por motivos elétricos e/ou mecânicos. É uma chatice enorme. Um aborrecimento. É preciso ficar na parada esperando um outro ônibus que vá para o mesmo destino que o seu. Isso pode durar longos minutos, visto que a frequência de ônibus em algumas linhas é bem reduzida. E aí, viagens que costumam durar cerca de 30 minutos, podem durar mais de uma hora.

Em suma, é isso. Mobilidade urbana é mais do que oferecer opções de transporte. É garantir qualidade na locomoção ao cidadão, seja por carro, bicicleta, a pé, por ônibus ou metrô. 

Sem soluçar!


 

 

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